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Plástica de primeira-dama de Dourados teria sido paga com dinheiro de fraude

A mulher do prefeito de Dourados (MS), Ari Artuzi (PDT), teria recebido R$ 10 mil de um esquema de fraude em licitações, desmantelado nessa quarta-feira, para realizar uma cirurgia plástica. Segundo testemunha do caso, o prefeito Ari Artuzi recolheu R$ 100 mil do Hospital Evangélico de Dourados e repassou 10% do valor para que a mulher realizasse a cirurgia. O esquema rendia ao prefeito cerca de R$ 500 mil por mês.

A operação Uragano (furacão, em italiano) da Polícia Federal do Mato Grosso do Sul levou para a cadeia quase todas as autoridades do Executivo e do Legislativo de Dourados. Ao todo, foram presas 28 pessoas, incluindo o prefeito Ari Artuzi (PDT); o vice, Carlinhos Cantor (PR); a primeira-dama, Maria Freitas Artuzi; e nove dos 12 vereadores, incluindo o presidente da Câmara, Sidlei Alves da Silva (DEM); quatro secretários municipais; e empreiteiros. Na casa do prefeito foram encontrados R$ 145,8 mil. Os envolvidos também são acusados de formação de quadrilha e corrupção.

A investigação da PF começou em maio, baseada em denúncia do jornalista Eleandro Passaia, ex-secretário de governo de Artuzi, que gravou cenas em que ele próprio entrega dinheiro ao prefeito, em flagrantes combinados com a Polícia Federal.

Em depoimento à PF, nessa quarta-feira, Passaia disse que os cerca de R$ 500 mil mensais arrecadados eram distribuídos entre os outros acusados. Em um dos vídeos entregues à polícia, o prefeito aparece em casa, sentado numa espreguiçadeira, enquanto recebe de Eleandro R$ 10 mil. Em outro, é a mulher dele, Maria Freitas, quem aparece recebendo outros R$ 10 mil.

Eleandro contou que a gota de água para delatar o esquema foi quando o prefeito Ari Artuzi recolheu os R$ 100 mil do Hospital Evangélico e repassou parte dele para a mulher fazer a cirurgia plástica. Na mesma semana, segundo Eleandro, uma criança teria morrido na unidade devido a uma operação mal sucedida.

Prefeito despacha da prisão, diz advogado
A denúncia feita pelo jornalista Eleandro Passaia que resultou na prisão de 28 pessoas levou à cidade a uma situação insólita. Como prefeito, vice, presidente da Câmara, vice da Câmara e até o procurador-geral da prefeitura estão presos, a Lei Orgânica do município não prevê quem assume o cargo.

Para o advogado Carlos Marques, que defende o prefeito, Artuzi continuará despachando da prisão de Campo Grande (MS), para onde foi levado ontem, após manifestações da população, que pedia seu impeachment e tentou depredar sua casa. Manifestantes também comemoraram as prisões soltando fogos de artifício.

O Tribunal de Justiça do Estado poderá determinar a intervenção no município antes deste domingo, quando expira a prisão temporária dos 28 suspeitos.


Terra, 02/09/2010 - 16h14m


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