Estudo aponta que escrita à mão pode ajudar a identificar declínio cognitivo em idosos

- 26 maio





Pesquisadores de Portugal identificaram que alterações na velocidade e na organização da escrita à mão podem indicar sinais de declínio cognitivo em pessoas acima dos 60 anos. O estudo, publicado na revista científica Frontiers in Human Neuroscience, analisou o comportamento da escrita de idosos e observou diferenças importantes entre participantes saudáveis e aqueles com comprometimento cognitivo.

A pesquisa acompanhou 58 idosos com idades entre 62 e 90 anos que viviam em casas de repouso. Entre os participantes, 38 já apresentavam diagnóstico de comprometimento cognitivo. Durante os testes, os voluntários utilizaram uma caneta digital em um tablet para realizar exercícios de escrita, incluindo cópia de frases, ditados e tarefas simples de traços.

Segundo os pesquisadores, escrever é uma atividade complexa que envolve memória, linguagem, percepção sensorial e coordenação motora. Por isso, mudanças no ritmo e na organização da escrita podem funcionar como sinais precoces de alterações cognitivas.

De acordo com a principal autora do estudo, a pesquisadora Ana Rita Matias, idosos com comprometimento cognitivo apresentaram maior lentidão, traços menos coordenados e dificuldades principalmente nas tarefas de ditado, que exigem mais esforço mental e processamento simultâneo de informações.

Os exercícios de ditado foram os que apresentaram diferenças mais evidentes entre os grupos analisados. Os pesquisadores observaram alterações no tempo para iniciar a escrita, no tamanho das letras, na quantidade de traços e na duração da atividade.

A equipe acredita que a análise digital da escrita pode se tornar uma ferramenta prática para auxiliar no monitoramento da saúde cognitiva em clínicas e consultórios médicos. Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que novos estudos ainda serão necessários para confirmar a eficácia do método em grupos maiores e mais diversos de pacientes.

Gustavo Monge