Arqueólogos encontram raro corante citado na Bíblia em túmulos de bebês da Roma Antiga
- 03 junho
Uma descoberta arqueológica realizada na cidade de York, na Inglaterra, revelou vestígios de um dos corantes mais valiosos da Antiguidade. Pesquisadores identificaram a chamada púrpura de Tiro em fragmentos de tecido que envolviam dois bebês sepultados há cerca de 1.700 anos, durante o período do Império Romano. O pigmento era associado à realeza, ao poder e à riqueza, sendo reservado às camadas mais privilegiadas da sociedade.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de York, que analisaram materiais preservados em túmulos de gesso. Esse tipo de sepultamento permitiu a conservação de detalhes dos tecidos, resíduos químicos e outros vestígios que normalmente se perderiam com o tempo. Foi justamente nessa análise que os cientistas identificaram a assinatura química da rara púrpura de Tiro.
Produzido a partir de moluscos marinhos do gênero murex, o corante exigia um processo extremamente complexo e custoso. Em determinados períodos da história romana, seu valor chegou a superar o do ouro. Por isso, seu uso era restrito a imperadores, membros da aristocracia e figuras de grande prestígio social.
Além de indicar a elevada posição social das famílias, a descoberta oferece novas pistas sobre os costumes funerários da época. Os arqueólogos destacam que o cuidado empregado nos enterros sugere fortes vínculos afetivos entre os familiares e as crianças, contrariando teorias antigas que apontavam um menor apego emocional devido às altas taxas de mortalidade infantil registradas naquele período.
A púrpura de Tiro também possui relevância histórica e religiosa. O pigmento é citado em passagens da Bíblia e aparece associado a figuras de destaque e autoridade. A identificação do corante em túmulos infantis torna a descoberta ainda mais rara e ajuda a ampliar o conhecimento sobre a vida social, cultural e religiosa do mundo romano.
Gustavo Monge