Estudo aponta que lentidão das preguiças pode estar ligada a alterações no DNA
- 11 junho
Conhecidas pelos movimentos lentos e pelo estilo de vida tranquilo, as preguiças podem ter essa característica explicada pela própria genética. Um estudo publicado na revista científica BMC Biology identificou alterações no DNA desses animais que ajudam a explicar seu metabolismo extremamente reduzido, considerado um dos mais lentos entre todos os mamíferos.
A pesquisa reuniu cientistas de diversos países, incluindo o Brasil, que analisaram o genoma de uma preguiça-de-dois-dedos. Os pesquisadores encontraram milhares de sequências genéticas preservadas ao longo de mais de 30 milhões de anos de evolução. Segundo o estudo, essas alterações podem ter contribuído para que os animais desenvolvessem a capacidade de sobreviver utilizando muito pouca energia.
Os cientistas descobriram que grande parte dessas mudanças está relacionada aos chamados transposons, conhecidos popularmente como “genes saltadores”. Essas sequências de DNA conseguem se copiar e se deslocar para diferentes regiões do genoma. Nas preguiças, esses elementos apresentaram intensa atividade ao longo da evolução e passaram a desempenhar funções importantes para o funcionamento do organismo.
A análise revelou ainda que muitos desses genes estão associados às mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia nas células. Os pesquisadores acreditam que essas adaptações ajudaram as preguiças a desenvolver um metabolismo altamente eficiente, permitindo que permaneçam saudáveis mesmo consumindo pouca energia e mantendo uma rotina de movimentos reduzidos.
Além de ampliar o conhecimento sobre a evolução das preguiças, a descoberta pode contribuir para pesquisas na área da saúde. Segundo os autores do estudo, compreender como esses animais administram a produção de energia celular poderá ajudar no desenvolvimento de investigações sobre doenças metabólicas, envelhecimento, perda muscular e outros problemas relacionados ao funcionamento das mitocôndrias.
Gustavo Monge