Por que o brasileiro gosta tanto de açúcar?
- 15 agosto
Brigadeiros, pudins, bolos recheados, leite condensado em tudo. O Brasil tem uma verdadeira paixão por doces — e essa preferência tem raízes profundas na história do país. Desde a colonização portuguesa, o açúcar esteve no centro da economia e da alimentação. A cana-de-açúcar virou uma das principais culturas da colônia, e o doce começou a entrar nas receitas tradicionais, substituindo o mel.
Com o tempo, o açúcar passou a fazer parte do dia a dia do brasileiro. A tradição portuguesa da doçaria foi combinada aos ingredientes e hábitos indígenas e africanos, criando uma variedade única de sobremesas. No século 20, a industrialização popularizou produtos como o leite condensado, que hoje está em quase todas as casas do país. Ele virou ingrediente-chave de doces populares como o brigadeiro e o pavê.
A relação afetiva com o açúcar também se expressa socialmente. No Brasil, o doce celebra, visita, consola. É o que levamos em festas, visitas, encontros em família. Como dizia o antropólogo Gilberto Freyre, o doce tem um papel cultural importante na construção da identidade brasileira, especialmente no Nordeste.
Mas o gosto pelo açúcar tem um lado preocupante. O brasileiro consome, em média, 80 gramas de açúcar por dia — 50% a mais do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O consumo disparou nas últimas décadas, impulsionado principalmente pelos alimentos ultraprocessados e pelo excesso de açúcar adicionado em receitas e bebidas.
Esse consumo excessivo está ligado ao aumento de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão. Nutricionistas alertam que o açúcar, quando consumido em excesso, representa um risco à saúde e não deve ser banalizado. Pequenas mudanças no dia a dia, como reduzir o açúcar no café ou evitar refrigerantes, já fazem diferença.
A boa notícia é que não é preciso cortar o açúcar completamente. A chave está na moderação. Diminuir o açúcar aos poucos e redescobrir o sabor natural dos alimentos pode ajudar o paladar a se adaptar. Assim, é possível manter a tradição doce brasileira, mas com mais equilíbrio e saúde.
Gustavo Monge