Rio Perdido encanta com águas cristalinas e desafios de preservação

- 11 setembro





Águas cristalinas, cachoeiras, trechos profundos e matas virgens: o Rio Perdido, que nasce em Bonito (MS), impressiona pela beleza cênica, com tons que variam entre o verde e o azul turquesa. Imagens recentes captadas durante o programa Cabeceiras do Pantanal, desenvolvido pelo Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), reforçam os atrativos do rio e também apontam os desafios de sua preservação.

Uma expedição percorreu 280 quilômetros do Rio Perdido de caiaque, constatando que, embora boa parte esteja preservada, ainda existem trechos que demandam atenção, especialmente rumo à foz, após o Parque da Serra da Bodoquena.

Nas nascentes, em Bonito, a conscientização ambiental mostrou resultados positivos. Proprietários passaram a proteger a área, revertendo impactos anteriores, como pontos antes usados por trilhas de jipeiros. A iniciativa é considerada um “case” de sucesso pelo presidente do IHP, Ângelo Rabelo.

O Rio Perdido recebe o nome devido a um trecho em que desaparece entre rochas, surgindo novamente em uma cavidade natural, seguindo em direção ao sul até desaguar no Rio Apa, que leva suas águas ao Paraguai.

Após o trecho protegido no Parque da Serra da Bodoquena, com matas ciliares intactas e fragmentos de Mata Atlântica, surgem preocupações. O biólogo do IHP, Sérgio Barreto, alerta para processos de erosão, assoreamento e ausência de vegetação nas margens. Em 2024, monitoramentos registraram trechos tomados por bancos de areia, quando o rio chegou a “virar sertão”, fenômeno observado em outros cursos d’água da região.

Além da beleza, o rio desempenha papel crucial para a natureza. Cachoeiras servem como berçário de peixes, com cardumes de dourados, piraputangas e pintados, enquanto a fauna ao redor inclui grandes felinos e outras espécies silvestres.

Embora o turismo seja crescente nos trechos do Rio Perdido, o IHP reforça a necessidade de exploração responsável, destacando a importância do rio para a biodiversidade e a reprodução de espécies no bioma Pantanal.

Gustavo Monge