Queixo humano é “acidente evolutivo”, aponta estudo da Universidade de Buffalo
- 13 fevereiro
O queixo humano, essa projeção característica da mandíbula inferior, pode ser, na verdade, um subproduto da evolução e não uma adaptação direta, segundo pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Buffalo e publicada na revista PLOS One em 29 de janeiro de 2026. Diferente de outros primatas, nem chimpanzés nem ancestrais como os neandertais possuíam essa estrutura, tornando o queixo um marcador único do Homo sapiens.
De acordo com a antropóloga Noreen von Cramon-Taubadel, o queixo surgiu “em grande parte por acidente e não por seleção direta, mas como um subproduto evolutivo de outras mudanças no crânio”. No estudo, os pesquisadores testaram três hipóteses para sua formação: resultado neutro da deriva genética, seleção direta ou produto residual da seleção em outras partes da mandíbula.
O conceito de “spandrel” foi usado para explicar a estrutura: assim como os espaços triangulares entre arcos de catedrais não têm função estrutural, o queixo seria uma característica fenotípica que surgiu como consequência inesperada do desenvolvimento ósseo, sem oferecer vantagem direta de sobrevivência.
Análises comparativas entre humanos e outros primatas mostraram que mudanças no crânio e mandíbula ocorreram por seleção de outras regiões, e não especificamente do queixo. O estudo também reforça a necessidade de repensar a visão adaptacionista da evolução humana, lembrando que nem todas as características físicas são moldadas para uma função direta.
Gustavo Monge