Estudo revela como cães influenciam a qualidade do ar dentro de casa

- 24 fevereiro





Um estudo publicado na revista Environmental Science & Technology no dia 1º de fevereiro analisou como cães alteram a composição do ar interno nas residências. Pesquisadores suíços da Escola Politécnica Federal de Lausana investigaram gases, partículas e microrganismos emitidos pelos animais durante atividades comuns, como brincar, se coçar e interagir com os humanos.

Para garantir precisão, os experimentos foram realizados em uma câmara climática altamente controlada, com ar filtrado, temperatura e umidade constantes. Os cientistas observaram dois grupos: cães grandes e pequenos (chihuahuas), monitorando em tempo quase real a emissão de partículas e gases em períodos de descanso e interação.

Entre as descobertas, o estudo aponta que os cães exalam níveis de gás carbônico semelhantes aos humanos, mas produzem proporcionalmente mais amônia devido à dieta rica em proteínas e ao metabolismo acelerado. Movimentos simples, como sacudir-se ou receber carinho, liberam poeira, pólen, micróbios e pelos, criando “nuvens” de partículas que podem chegar a ser fluorescentes sob luz ultravioleta.

Apesar de contribuírem para a poluição interna, os cães também promovem diversidade microbiana, o que pode beneficiar o sistema imunológico, especialmente de crianças. Segundo os pesquisadores, essas medições ajudam a compreender como os animais redistribuem material biológico no ambiente doméstico e influenciam a exposição da família a microrganismos.

O estudo também revelou diferenças nas reações químicas: enquanto humanos produzem mais derivados do ozônio em contato com a pele, os cães geram cerca de 40% menos dessas partículas, mesmo quando acariciados. Os resultados oferecem dados importantes para aprimorar modelos de qualidade do ar interno e entender melhor a dinâmica de poluentes em casas com animais de estimação.

Gustavo Monge