Pantanal se consolida como parada estratégica para aves migratórias
- 13 março
O Pantanal sul-mato-grossense é referência mundial para a migração de aves, funcionando como refúgio para descanso e alimentação de centenas de espécies que cruzam continentes. Entre lagoas e campos alagados, o bioma recebe aves vindas do Canadá, Estados Unidos e até da Patagônia, no extremo sul da América do Sul.
O protagonismo do Pantanal na conservação da fauna será tema central da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU (COP15), que será realizada em Campo Grande entre 23 e 29 de março. O evento deve reunir até 3 mil especialistas de cerca de 100 países, com base na chamada Blue Zone no Shopping Bosque dos Ipês e atividades em diversos pontos da cidade.
Pesquisas indicam que 190 espécies de aves migratórias utilizam a região, incluindo 27 espécies de maçaricos. Além do céu, os rios pantaneiros também apresentam migrações significativas, como a piracema, quando peixes como pintado e dourado sobem os rios para reprodução. A preservação desses ecossistemas é essencial para a continuidade dessas rotas naturais.
A proteção do Pantanal ganhou reforço recente com a Lei Estadual nº 6.160/2023, que exige a manutenção de pelo menos 40% da vegetação nativa em propriedades rurais, além da preservação de áreas alagáveis essenciais para a fauna. Medidas como essas garantem que o bioma continue funcionando como um “posto de abastecimento” natural para espécies migratórias.
Além das aves, espécies como a onça-pintada também dependem da conectividade entre habitats para garantir fluxo genético e sobrevivência. O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, ressalta que proteger essas rotas, que atravessam fronteiras nacionais, é vital para a conservação global da biodiversidade e reforça o papel estratégico do Pantanal no debate internacional.
Gustavo Monge