Estudo indica que luas de planetas errantes podem sustentar vida mesmo sem estrelas
- 17 março
Um novo estudo científico aponta que a busca por vida fora da Terra pode ir além das regiões iluminadas por estrelas. Pesquisadores da Universidade Ludwig Maximilian de Munique e do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre concluíram que luas que orbitam planetas errantes — aqueles que vagam pelo espaço sem uma estrela — podem apresentar condições favoráveis à vida.
Publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o estudo mostra que essas luas podem manter água líquida por até 4,3 bilhões de anos. Mesmo sem receber luz estelar, o calor necessário seria gerado internamente por meio do chamado aquecimento de maré, causado pela interação gravitacional com o planeta ao redor.
Os planetas errantes surgem quando são expulsos de seus sistemas durante a formação planetária. Apesar disso, podem continuar acompanhados por luas, que passam a ter órbitas irregulares e sofrem constantes deformações. Esse processo gera calor suficiente para manter oceanos subterrâneos, mesmo em ambientes extremamente frios.
Outro fator essencial identificado pelos cientistas é a presença de atmosferas ricas em hidrogênio. Diferente do dióxido de carbono, que perde eficiência em temperaturas muito baixas, o hidrogênio pode reter calor por meio de interações moleculares, criando um efeito estufa capaz de sustentar temperaturas adequadas para a existência de água líquida.
A pesquisa amplia significativamente as possibilidades de encontrar vida no universo, indicando que ambientes habitáveis podem existir até mesmo em regiões escuras e distantes de qualquer estrela. A descoberta reforça a ideia de que a vida pode surgir em condições muito mais variadas do que se imaginava até agora.
Gustavo Monge