Estudo aponta aumento de calor em metrôs e alerta para impactos da crise climática na saúde

- 18 março





Um estudo publicado na revista Nature Cities revela que o aumento das temperaturas causado pela crise climática já afeta diretamente sistemas de metrô em grandes cidades. A pesquisa indica que o calor acumulado no subsolo tem se intensificado, tornando o ambiente mais desconfortável para passageiros e levantando preocupações sobre impactos na saúde pública.

Conduzido por cientistas da Universidade Northwestern, o levantamento analisou mais de 85 mil comentários publicados nas redes sociais entre 2008 e 2024 sobre metrôs de cidades como Boston, Londres e Nova York. A metodologia buscou compreender a percepção dos usuários ao longo do tempo, identificando padrões de desconforto térmico relatados pelos passageiros.

Os dados mostram que o calor nos sistemas subterrâneos está diretamente relacionado ao aumento das temperaturas na superfície. Ambientes como túneis e estações funcionam como isolantes térmicos, retendo calor por mais tempo e, em alguns casos, registrando temperaturas superiores a 45°C. O estudo aponta ainda que, a cada aumento de 1°C, as reclamações crescem significativamente, especialmente durante períodos de ondas de calor.

Além do desconforto, os pesquisadores alertam que o calor excessivo pode representar riscos à saúde e à infraestrutura. Entre os impactos estão problemas como deformação de trilhos, desgaste acelerado de equipamentos e possíveis danos à qualidade da água subterrânea, além de efeitos diretos no bem-estar dos usuários.

Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de medidas para reduzir o calor nos sistemas de transporte, como melhorias na ventilação e monitoramento mais eficiente das condições ambientais. Especialistas defendem que a ampliação de dados públicos e o planejamento urbano adaptado às mudanças climáticas serão fundamentais para enfrentar os desafios de um futuro cada vez mais quente.

Gustavo Monge