Estudo indica que dinossauros tinham menor eficiência na incubação de ovos que aves atuais

- 18 março





Uma pesquisa publicada na revista Frontiers in Ecology and Evolution aponta que alguns dinossauros apresentavam menor eficiência na incubação de ovos em comparação com as aves modernas. O estudo analisou o comportamento dos oviraptores, grupo que viveu entre 70 e 66 milhões de anos atrás, no período Cretáceo, e sugere que o nascimento dos filhotes dependia tanto do calor corporal quanto das condições ambientais.

Para chegar às conclusões, cientistas de universidades de Taiwan, Alemanha e Estados Unidos desenvolveram um modelo físico baseado em fósseis da espécie Heyuannia huangi. A simulação reproduziu o corpo do animal e seu ninho, permitindo avaliar como o calor era distribuído entre os ovos e o ambiente ao redor.

Os resultados mostraram que a posição dos ovos influenciava diretamente na temperatura. Em ambientes mais frios, a diferença térmica entre os ovos podia chegar a até 6 °C, o que favorecia a chamada eclosão assíncrona, quando os filhotes nascem em momentos diferentes. Já em condições mais quentes, essa variação era bem menor, indicando que o calor do ambiente, especialmente do sol, tinha papel relevante no processo.

Diferentemente das aves atuais, que utilizam a incubação por contato para manter temperatura uniforme, os oviraptores não conseguiam aquecer todos os ovos simultaneamente. A disposição das ninhadas dificultava o controle térmico preciso, o que tornava o processo menos eficiente sob determinados aspectos.

Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que o método não era necessariamente inferior, mas sim adaptado às condições ambientais da época. O estudo amplia o entendimento sobre o comportamento reprodutivo dos dinossauros e contribui para novas investigações sobre a evolução das estratégias de incubação ao longo do tempo.

Gustavo Monge