Nova espécie de palmeira é descoberta na Amazônia com apoio de comunidade indígena
- 19 março
Uma nova espécie de palmeira foi identificada na Amazônia colombiana por pesquisadores da Universidade de Zurique, ampliando o conhecimento científico sobre a biodiversidade da região. Batizada de Attalea táam, a planta foi descrita em janeiro em publicação científica internacional, após anos de pesquisas de campo conduzidas pelos cientistas Rodrigo Cámara-Leret e Juan Carlos Copete.
A descoberta ocorreu de forma inesperada, após mais de uma década de expedições sem resultados conclusivos. O avanço só foi possível graças ao contato com a comunidade indígena Cacua, que vive em uma área remota da floresta. Mesmo com barreiras linguísticas, os pesquisadores conseguiram trocar informações com os moradores locais, que indicaram a presença de palmeiras nativas na região.
Com o apoio de anciãos e caçadores da comunidade, os cientistas localizaram e documentaram exemplares da espécie em ambiente natural. O material coletado foi analisado posteriormente em laboratório, onde foram avaliadas características como folhas, flores e frutos, além da comparação com registros já existentes para confirmar que se tratava de uma espécie inédita.
A Attalea táam pode atingir até 23 metros de altura e se destaca pelas marcas em forma de anel no tronco, além de folhas longas e eretas. Apesar de ser relativamente comum em determinadas áreas da floresta, a identificação da espécie é considerada complexa, devido às variações morfológicas presentes entre palmeiras do mesmo grupo.
O estudo também destacou a importância da colaboração com povos indígenas na produção científica. Além de contribuírem diretamente para a descoberta, os Cacua participaram do mapeamento da região e da construção de registros locais. A parceria reforça a relevância do conhecimento tradicional na preservação e compreensão da biodiversidade amazônica, apontando para novos caminhos na pesquisa científica.
Gustavo Monge