Estudo aponta que frio intenso aumenta risco de infartos e derrames mais do que o calor

- 26 março





Um novo estudo científico acende o alerta para os impactos das baixas temperaturas na saúde do coração. Ao contrário da percepção comum de que o calor extremo representa o principal risco climático, a pesquisa indica que o frio intenso está mais fortemente associado ao aumento de mortes por doenças cardiovasculares, como infartos, derrames e complicações coronárias.

As conclusões foram apresentadas na Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia e publicadas na revista American Journal of Preventive Cardiology. A análise mostrou que meses com temperaturas mais baixas registram taxas significativamente maiores de mortalidade cardiovascular em comparação com períodos de clima mais ameno. Embora o calor também eleve os riscos, o impacto é consideravelmente menor.

O estudo avaliou dados de 819 localidades dos Estados Unidos, abrangendo cerca de 80% da população adulta, no período entre 2000 e 2020. Os pesquisadores identificaram que a temperatura considerada ideal para a saúde cardiovascular gira em torno de 23 °C. A partir desse ponto, tanto o frio quanto o calor aumentam os riscos, mas o frio se destaca como o principal fator associado ao crescimento das mortes.

Segundo as estimativas, as baixas temperaturas estiveram relacionadas a cerca de 40 mil mortes cardiovasculares adicionais por ano, totalizando aproximadamente 800 mil casos em duas décadas. Já o calor extremo foi responsável por cerca de 2 mil mortes anuais além do esperado, somando cerca de 40 mil no mesmo período.

Especialistas explicam que o frio provoca reações no organismo, como a contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial e intensificação de processos inflamatórios, o que exige maior esforço do coração. Esses efeitos são ainda mais perigosos para idosos e pessoas com doenças crônicas. Diante dos resultados, os pesquisadores defendem maior atenção aos riscos do frio, especialmente no contexto das mudanças climáticas e do envelhecimento da população.

Gustavo Monge