Furto de amostras de vírus na Unicamp expõe falhas e levanta alerta sobre riscos à saúde
- 26 março
O desaparecimento de amostras de vírus em laboratórios da Universidade Estadual de Campinas acendeu um alerta sobre biossegurança no país. O material estava armazenado em uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), considerada a mais alta disponível atualmente no Brasil para estudos com agentes infecciosos, que exigem protocolos rigorosos de controle e contenção.
A investigação envolve a pesquisadora Soledad Palameta Miller, que chegou a ser presa em flagrante e posteriormente liberada para responder ao processo em liberdade. Segundo a Polícia Federal do Brasil, ela é suspeita de retirar o material biológico do ambiente controlado e armazená-lo em outros laboratórios da universidade, sem as condições adequadas de segurança.
De acordo com documentos da Justiça Federal, as amostras foram manipuladas e mantidas em locais não preparados para esse tipo de material, o que pode ter exposto pessoas a riscos diretos à saúde. Há ainda indícios de descarte inadequado de resíduos biológicos, inclusive em lixeiras comuns, o que agrava a gravidade do caso.
As apurações indicam que a pesquisadora utilizava o acesso de terceiros para entrar em laboratórios e armazenar o material em freezers de outras áreas. As amostras foram localizadas em diferentes pontos da universidade, incluindo espaços da Faculdade de Engenharia de Alimentos e do Instituto de Biologia, após ação da Polícia Federal.
A universidade informou que abriu sindicância interna para apurar os fatos, enquanto a Justiça determinou medidas cautelares à investigada, como restrição de acesso aos laboratórios e obrigação de comparecimento periódico. O caso levanta discussões sobre segurança em ambientes de pesquisa e a necessidade de rigor no controle de materiais biológicos sensíveis.
Gustavo Monge