Conflito no Oriente Médio eleva custo de fertilizantes e preocupa produtores em MS

- 27 março





A escalada do conflito envolvendo o Irã no Oriente Médio já começa a gerar impactos diretos no agronegócio de Mato Grosso do Sul, com reflexos esperados para a safra de verão 2026/2027. Especialistas apontam que o aumento dos custos logísticos no Estreito de Ormuz tem encarecido fertilizantes e pressionado os custos de produção, especialmente para culturas como soja e milho.

De acordo com análises do setor, cerca de 60% dos insumos necessários para o próximo ciclo agrícola ainda serão adquiridos sob os atuais preços elevados. No Brasil, a ureia — principal fertilizante nitrogenado — registrou alta de 50% nos últimos 30 dias e quase 90% na comparação anual, influenciada tanto pelo conflito quanto por restrições de exportação impostas pela China, que busca priorizar o abastecimento interno.

Em Mato Grosso do Sul, o impacto tende a ser mais significativo na produção de soja, cujo plantio começa entre o fim de setembro e o início de outubro. Até o momento, cerca de 40% dos fertilizantes já foram adquiridos, índice próximo da média histórica. No entanto, produtores devem enfrentar custos mais altos ao comprar o restante dos insumos, o que pode comprometer a rentabilidade da próxima safra.

Além da alta nos preços, o cenário internacional também levanta preocupações quanto ao abastecimento. Há registros de navios carregados com fertilizantes parados na região do conflito, o que pode afetar a oferta global. O Oriente Médio é responsável por uma parcela significativa das exportações de insumos agrícolas, especialmente ureia, o que amplia os riscos para países importadores como o Brasil.

Relatórios do setor também indicam que o aumento nos custos de produção pode ter reflexos mais amplos na economia. A tendência é de maior pressão inflacionária e possível desaceleração do crescimento do agronegócio em 2026. Apesar disso, a diversificação da economia regional, com destaque para setores como celulose e etanol, pode ajudar a amenizar parte dos impactos no Estado.

Gustavo Monge