Peixe pré-histórico usava pulmões para ouvir debaixo d’água
- 27 março
Uma descoberta científica revelou que peixes ancestrais, que viveram há cerca de 240 milhões de anos, utilizavam os pulmões não apenas para respirar, mas também como parte do sistema auditivo. O estudo, publicado na revista Communications Biology, aponta que esses animais conseguiam detectar sons subaquáticos por meio de estruturas internas ligadas ao órgão respiratório.
Conhecidos como celacantos, esses peixes chamam a atenção por apresentarem características mais próximas dos vertebrados terrestres do que de outras espécies aquáticas. Diferentemente dos peixes modernos, seus ancestrais possuíam pulmões bem desenvolvidos, protegidos por estruturas ósseas, o que levantou novas hipóteses sobre suas funções além da respiração.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Museu de História Natural de Genebra e da Universidade de Genebra, que utilizaram tecnologia de raio-X de alta precisão para analisar fósseis do período Triássico encontrados na França. As imagens revelaram detalhes inéditos da estrutura interna dos pulmões, incluindo formações que poderiam atuar na captação de ondas sonoras.
Segundo os pesquisadores, o sistema funcionava de forma integrada: o pulmão captava as vibrações sonoras na água e as transmitia ao ouvido interno, permitindo que o peixe percebesse sons no ambiente. O mecanismo é comparável ao de algumas espécies atuais, que utilizam a bexiga natatória para auxiliar na audição.
Apesar da eficiência desse sistema, a capacidade auditiva por meio dos pulmões foi perdida ao longo da evolução. De acordo com os cientistas, a adaptação deixou de ser necessária à medida que os celacantos migraram para ambientes marinhos mais profundos, onde seus pulmões regrediram, marcando uma mudança importante na história evolutiva desses animais.
Gustavo Monge