Estudo revela que vírus “espionam” sinais químicos e podem tomar decisões equivocadas
- 01 abril
Uma pesquisa recente publicada na revista científica Cell aponta que vírus são capazes de detectar e interpretar sinais químicos emitidos por outros vírus, em um comportamento comparado a uma espécie de “espionagem”. O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Exeter e analisou o comportamento de bacteriófagos, vírus que infectam bactérias.
De acordo com os pesquisadores, esses vírus utilizam um sistema conhecido como “arbítrio”, no qual liberam moléculas chamadas peptídeos durante a infecção. A concentração dessas substâncias funciona como um indicativo do ambiente: níveis elevados sugerem escassez de células hospedeiras, enquanto níveis baixos indicam maior disponibilidade para infecção.
Com base nesses sinais, os vírus tomam decisões importantes ao invadir uma célula. Eles podem optar pela lise, processo em que destroem a célula para se multiplicar rapidamente, ou pela lisogenia, quando permanecem inativos dentro do hospedeiro até encontrar condições mais favoráveis. A escolha correta é fundamental para a sobrevivência e propagação viral.
O estudo revela que esses sinais não são exclusivos entre vírus da mesma espécie. Bacteriófagos conseguem captar mensagens químicas de outros vírus, mesmo quando não são diretamente destinadas a eles. No entanto, essa “escuta” pode levar a interpretações equivocadas, fazendo com que o vírus adote estratégias inadequadas para o ambiente em que se encontra.
Segundo os cientistas, esse tipo de interação mostra que a comunicação entre vírus não se resume à cooperação, podendo envolver também manipulação. A descoberta amplia o entendimento sobre o comportamento viral e pode contribuir, no futuro, para avanços em áreas como microbiologia e desenvolvimento de novas estratégias de controle de infecções.
Gustavo Monge