Cientistas descobrem 24 novas espécies em região profunda do Oceano Pacífico

- 01 abril





Um levantamento conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores revelou a existência de 24 novas espécies de crustáceos em uma das áreas mais remotas do planeta: a Zona de Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico. A descoberta amplia significativamente o conhecimento sobre a biodiversidade marinha em grandes profundidades e reforça a importância de estudos científicos para a preservação desses ecossistemas.

Localizada entre o Havaí e o México, a região ocupa cerca de 6 milhões de quilômetros quadrados e abriga espécies adaptadas a condições extremas, como ausência de luz e alta pressão. Apesar de décadas de pesquisas, muitas dessas formas de vida ainda não haviam sido formalmente descritas, o que dificultava sua inclusão em políticas ambientais de proteção.

O estudo, publicado na revista científica ZooKeys, focou principalmente em anfípodes, pequenos crustáceos abundantes no fundo do mar. Para identificar as novas espécies, os cientistas combinaram análises morfológicas com técnicas genéticas, como o sequenciamento de DNA, garantindo maior precisão na classificação dos organismos.

Entre os achados, uma espécie chamou atenção por sua singularidade: o anfípode Mirabestia maisie, que levou à criação de uma nova superfamília — algo considerado raro mesmo em ambientes pouco explorados. A descoberta destaca o quanto ainda há a ser compreendido sobre a vida nos oceanos profundos.

Os pesquisadores alertam que o avanço do conhecimento é urgente diante do interesse econômico na região, rica em nódulos polimetálicos utilizados na indústria tecnológica. O estudo integra uma iniciativa internacional que busca catalogar mil espécies de águas profundas na próxima década, reforçando a necessidade de equilibrar exploração e preservação em um dos ambientes mais vulneráveis do planeta.

Gustavo Monge