Peixe com apenas fêmeas desafia teoria da evolução e sobrevive há 100 mil anos
- 02 abril
Uma espécie de peixe amazônico composta exclusivamente por fêmeas, a molinésia-amazônica (Poecilia formosa), tem intrigado cientistas ao prosperar geneticamente por mais de 100 mil anos, mesmo se reproduzindo apenas por clonagem. A descoberta desafia a premissa de que a reprodução assexuada seria um caminho evolutivo sem saída.
Pesquisadores da Universidade de Missouri-Columbia, nos Estados Unidos, identificaram que a espécie mantém seu DNA saudável graças a um processo chamado conversão genética. Nesse mecanismo, cópias de genes podem sobrescrever outras, corrigindo mutações prejudiciais ao longo das gerações, funcionando como um “reparo natural” do genoma.
A molinésia-amazônica surgiu de um cruzamento raro entre duas espécies: molinésia-latipina e molinésia-do-atlântico. Apesar de depender do esperma de machos de espécies próximas apenas para ativar a reprodução — sem incorporar DNA masculino —, a espécie mantém estabilidade genética comparável à de peixes que se reproduzem sexualmente.
Estudos detalhados com sequenciamento de leitura longa revelaram que os dois genomas herdados da espécie híbrida evoluem em ritmos diferentes, e o desequilíbrio é corrigido pela conversão genética. Esse sistema permite que variantes benéficas se espalhem enquanto mutações prejudiciais são corrigidas, garantindo a sobrevivência da espécie ao longo de milhares de gerações.
Os pesquisadores afirmam que a descoberta amplia o entendimento sobre a evolução e sugere que a reprodução assexuada pode, em certos casos, desenvolver mecanismos próprios para contornar limitações clássicas. Além de reformular conceitos da biologia, os achados podem ter impactos em genética, agricultura e medicina.
Gustavo Monge