Mato Grosso do Sul se torna referência nacional em estudos para reduzir acidentes com fauna
- 06 abril
Mato Grosso do Sul tem se consolidado como um dos principais campos de pesquisa do país na busca por soluções que reduzam acidentes envolvendo animais silvestres em rodovias. Um livro técnico sobre segurança viária e conservação da fauna aponta o Estado como laboratório estratégico, devido à alta biodiversidade, à presença de rodovias que cortam áreas naturais e ao monitoramento científico contínuo.
Um dos principais focos dos estudos é a BR-262, especialmente no trecho entre Anastácio e Corumbá, considerado área prioritária para intervenções. A região, que atravessa áreas de Cerrado e Pantanal, apresenta alto índice de atropelamentos de animais e reúne características que favorecem a travessia da fauna, como vegetação nativa e áreas alagáveis.
Levantamentos identificaram mais de 100 estruturas já existentes com potencial de uso por animais silvestres, como pontes e bueiros. Dados mostram que esses locais são utilizados por diversas espécies, incluindo mamíferos de médio e grande porte, como anta, capivara e quati, algumas delas ameaçadas de extinção.
Com base nos pontos críticos, foram definidos 18 trechos prioritários para implantação de medidas de mitigação. Entre as ações previstas estão instalação de cercas, passagens inferiores, radares, sinalização para redução de velocidade e estruturas específicas, como pontes de dossel, voltadas a espécies arborícolas.
Além da BR-262, outras rodovias do Estado também registram ocorrências frequentes, como BR-163, BR-267 e MS-040, com presença de animais de grande porte, como onça-pintada e cervo-do-pantanal. Os estudos reforçam que a redução desses acidentes é fundamental tanto para a preservação da biodiversidade quanto para a segurança dos motoristas.
Gustavo Monge