Réptil mumificado revela pistas sobre a evolução da respiração nos vertebrados

- 09 abril





Um fóssil extremamente raro pode ajudar a explicar como surgiu o sistema respiratório dos vertebrados modernos. Trata-se do Captorhinus, um pequeno lagarto que viveu há cerca de 289 milhões de anos e foi encontrado em uma caverna nos Estados Unidos com estruturas como ossos, pele e cartilagem preservadas.

O estudo, publicado na revista Nature, descreve a conservação excepcional do animal, resultado de um processo natural envolvendo petróleo, água subterrânea rica em minerais e ausência de oxigênio. Essas condições permitiram manter o corpo praticamente intacto, possibilitando uma análise detalhada de sua anatomia.

Com o uso de técnicas avançadas, como tomografia com nêutrons, os pesquisadores conseguiram reconstruir o sistema respiratório completo do animal. A descoberta revelou que o Captorhinus já possuía respiração torácica — mecanismo que utiliza a movimentação da caixa torácica para a entrada e saída de ar — considerado um passo importante na evolução dos vertebrados.

Antes disso, muitos animais dependiam da respiração pela pele, um método menos eficiente para organismos mais ativos. A evolução da respiração torácica permitiu maior entrada de oxigênio e melhor desempenho físico, favorecendo a adaptação ao ambiente terrestre.

A descoberta ajuda a entender como esse sistema evoluiu ao longo do tempo e deu origem à respiração presente em répteis, aves e mamíferos atuais. Além disso, o estudo de proteínas preservadas no fóssil pode trazer novas informações sobre a evolução dos primeiros vertebrados terrestres.

Gustavo Monge