Estudo revela “guerra” que dividiu maior grupo de chimpanzés selvagens em Uganda

- 10 abril





Um estudo publicado na revista Science revelou um caso raro de conflito letal entre chimpanzés que resultou na divisão permanente do maior grupo selvagem já registrado. O episódio ocorreu no Parque Nacional de Kibale, envolvendo os chimpanzés Ngogo, da espécie Pan troglodytes.

De acordo com a pesquisa, baseada em mais de 30 anos de observação, o grupo viveu de forma coesa por décadas, mas passou a apresentar sinais de divisão interna a partir de 2015. A morte de machos adultos, considerados essenciais para a coesão social, pode ter contribuído para o enfraquecimento dos laços entre os indivíduos.

Com o tempo, a comunidade se separou em dois grupos distintos, chamados de Ocidental e Central, que passaram a ocupar territórios diferentes e evitar contato. A partir de 2018, a rivalidade evoluiu para confrontos violentos, com registros de ataques letais durante disputas territoriais.

Entre 2018 e 2024, os cientistas documentaram a morte de sete machos adultos e 17 filhotes. Os ataques ocorreram principalmente durante incursões do grupo Ocidental em áreas ocupadas pelo grupo Central, evidenciando um padrão de conflito organizado.

Segundo o pesquisador Aaron Sandel, da Universidade do Texas, um dos aspectos mais impressionantes é que os chimpanzés passaram a atacar antigos membros do próprio grupo, rompendo relações sociais construídas ao longo de anos.

Casos de divisão permanente entre chimpanzés são extremamente raros e podem ocorrer apenas uma vez a cada 500 anos. Um dos poucos registros semelhantes foi observado na década de 1970, na Parque Nacional de Gombe, durante estudos conduzidos pela primatóloga Jane Goodall.

Os autores do estudo destacam que o comportamento observado levanta questionamentos sobre a origem dos conflitos em grupo, sugerindo que disputas violentas podem não ser exclusivas da espécie humana, mas também presentes em outros primatas.

Gustavo Monge