Múmia de 700 anos revela presença de bactéria da garganta na América pré-colonial
- 22 abril
Pesquisadores identificaram a presença da bactéria Streptococcus pyogenes, responsável por infecções de garganta e escarlatina, em uma múmia de aproximadamente 700 anos encontrada na Bolívia. O estudo foi publicado em 13/04/2026 na revista científica Nature Communications e reforça que o patógeno já circulava na América antes da chegada dos europeus.
O material analisado pertence a um jovem que viveu entre 1283 e 1383, cujo corpo foi naturalmente preservado pelas condições frias e secas do altiplano andino. O crânio, onde foi identificado o microrganismo, está atualmente no Museu Nacional de Arqueologia de La Paz. O achado ocorreu a partir de análises genéticas amplas realizadas pelos cientistas.
Para reconstruir o DNA altamente fragmentado, os pesquisadores utilizaram uma técnica conhecida como “montagem de novo”, que permite reconstituir genomas sem depender de referências modernas. O método possibilitou recuperar um genoma quase completo da bactéria, revelando semelhanças com variantes atuais que afetam a garganta.
Os resultados indicam que infecções semelhantes às observadas hoje já atingiam populações humanas há séculos. Além disso, o estudo contribui para a compreensão da evolução do patógeno, que pode ter começado a se diversificar há cerca de 5 mil anos, possivelmente devido ao aumento da densidade populacional.
Apesar dos avanços, os pesquisadores destacam que ainda não é possível determinar se a bactéria teve relação com a morte do jovem. A descoberta, no entanto, abre caminho para novas pesquisas sobre a presença de doenças infecciosas na história da humanidade.
Gustavo Monge