Fóssil de réptil marinho com mais de 100 dentes revela pistas sobre alimentação no Jurássico

- 29 abril





Um fóssil de ictiossauro com cerca de 180 milhões de anos foi encontrado na Alemanha e está ajudando cientistas a entender como esses répteis marinhos se alimentavam. O exemplar foi localizado na região de Mistelgau e pertence à espécie Temnodontosaurus trigonodon, considerada uma das maiores do grupo.

Os pesquisadores identificaram que o animal possuía mais de 100 dentes e podia chegar a cerca de 6,6 metros de comprimento. O estado de conservação chamou atenção, com partes do crânio, mandíbula, nadadeiras e coluna preservadas em detalhes, incluindo estruturas raramente encontradas em fósseis desse tipo.

Outro ponto importante do estudo são os sinais de ferimentos no esqueleto, principalmente nas regiões do ombro e da mandíbula. Esses danos podem ter comprometido a capacidade de caça do animal, indicando que ele sobreviveu por um período mesmo com limitações físicas.

Além disso, foram encontrados gastrólitos — pequenas pedras ingeridas — na região abdominal. Esse achado é incomum em ictiossauros e sugere que o animal pode ter adaptado sua dieta, possivelmente passando a consumir presas mais fáceis de digerir.

A descoberta amplia o conhecimento sobre o comportamento e a sobrevivência desses predadores marinhos durante o período Jurássico e deve orientar novas pesquisas sobre a vida nos antigos oceanos.

Gustavo Monge