Cidade do México afunda até 2 centímetros por mês e preocupa especialistas

- 08 maio





A Cidade do México enfrenta um avanço acelerado no afundamento do solo, fenômeno conhecido como subsidência. Segundo dados divulgados pela NASA, algumas regiões da capital mexicana estão afundando até 2 centímetros por mês, o equivalente a cerca de 24 centímetros por ano.

O monitoramento é feito pelo satélite NISAR, desenvolvido em parceria entre a agência espacial norte-americana e a Organização Indiana de Pesquisa Espacial. O equipamento utiliza tecnologia de radar capaz de detectar alterações mínimas na superfície terrestre, mesmo em áreas com nuvens ou vegetação densa.

Especialistas apontam que o principal motivo do afundamento é a intensa retirada de água subterrânea. A cidade foi construída sobre o antigo leito de um lago, em uma região de solo argiloso e instável. Com a extração contínua de água dos aquíferos e o peso da expansão urbana, as camadas do solo acabam se comprimindo gradualmente.

Os impactos já atingem diferentes áreas da infraestrutura urbana. Ruas deformadas, prédios inclinados e danos em sistemas subterrâneos, como o metrô, estão entre os principais problemas observados. Um dos casos mais conhecidos envolve o monumento Anjo da Independência, que precisou receber degraus extras ao longo dos anos para compensar o afundamento do terreno.

Outro efeito preocupa autoridades: os rompimentos frequentes nas tubulações de água. Com o deslocamento do solo, aumentam as perdas no sistema de abastecimento, agravando ainda mais a necessidade de extração de água subterrânea e criando um ciclo difícil de interromper.

Segundo pesquisadores, reduzir a retirada de água dos aquíferos seria a principal solução, mas a medida é considerada complexa em uma região metropolitana com cerca de 22 milhões de habitantes. Enquanto isso, cientistas acreditam que o satélite NISAR poderá ajudar no monitoramento do fenômeno em diferentes partes do mundo.

Gustavo Monge