Acordar durante a madrugada pode ser natural, apontam estudos sobre o sono

- 06 março





Acordar no meio da madrugada, por volta das 3h, pode ser mais comum e natural do que muita gente imagina. Estudos sobre o sono indicam que a ideia de dormir oito horas seguidas é relativamente recente na história humana e não necessariamente representa o padrão biológico mais antigo do organismo.

Pesquisas históricas mostram que, até cerca de dois séculos atrás, era comum as pessoas adotarem o chamado “sono bifásico”. Nesse modelo, o descanso era dividido em dois períodos: um primeiro sono de cerca de quatro horas após o anoitecer, seguido por um período curto de vigília, antes de voltar a dormir até o amanhecer.

Esse padrão foi amplamente documentado em diferentes regiões do mundo. O historiador Roger Ekirch reuniu mais de 500 referências em documentos antigos que descrevem esse hábito, inclusive em textos clássicos. A prática começou a desaparecer com o avanço da iluminação artificial a partir do século 18, quando a noite passou a ser mais utilizada para atividades sociais e de trabalho.

Com a chegada da Revolução Industrial e a rigidez dos horários de trabalho, o descanso passou a ser concentrado em um único bloco de sono contínuo. Além disso, a exposição à luz artificial interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o ritmo do sono, alterando o chamado ritmo circadiano.

Especialistas apontam que acordar no meio da noite não precisa ser motivo de preocupação. Em casos de dificuldade para voltar a dormir, a recomendação é levantar-se após cerca de 20 minutos e realizar uma atividade tranquila, com pouca luz, como leitura. Evitar olhar o relógio também ajuda a reduzir a ansiedade e facilita o retorno ao sono.

Gustavo Monge