Acordo Mercosul–União Europeia pode elevar em 10% a balança comercial de MS, projeta governo

- 16 janeiro





O governo de Mato Grosso do Sul projeta crescimento de cerca de 10% na balança comercial estadual em até dois anos após a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O tratado deve ser formalizado no sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, e é visto como estratégico para ampliar a presença dos produtos sul-mato-grossenses no mercado europeu.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, o acordo está alinhado ao perfil econômico do Estado, cuja pauta exportadora deve se beneficiar da redução de tarifas. Entre os produtos com maior potencial de crescimento estão a celulose, principal item de exportação de Mato Grosso do Sul, além da carne bovina dentro dos padrões exigidos pela União Europeia. Também aparecem como destaques carne de frango, carne suína, citrus e etanol.

Em 2025, a União Europeia respondeu por cerca de 13% das exportações sul-mato-grossenses, com um total de US$ 1,30 bilhão em vendas, concentradas majoritariamente no agronegócio. A celulose liderou o ranking, seguida por farelo de soja e carne bovina. No mesmo período, as importações provenientes do bloco europeu somaram US$ 492 milhões, principalmente em máquinas e equipamentos industriais, o que garantiu ao Estado superávit de US$ 812 milhões na relação comercial com o bloco.

Especialistas avaliam que o acordo também contribui para a diversificação dos mercados e reduz a dependência da China, principal destino das exportações do Estado. A consultora econômica da Famasul, Eliamar Oliveira, destaca que o acesso ampliado ao mercado europeu, formado por 27 países e alto poder aquisitivo, cria oportunidades para produtos de maior valor agregado e aumenta a previsibilidade comercial para os exportadores.

Apesar dos benefícios, o acordo mantém exigências ambientais rigorosas, como a comprovação de que os produtos não são oriundos de áreas de desmatamento ilegal. Para atender a essas regras, o governo estadual prepara a implantação de um selo verde a partir de 2026. A medida busca garantir competitividade aos produtos sul-mato-grossenses e assegurar o acesso contínuo ao mercado europeu em um cenário de maior rigor regulatório.

Gustavo Monge