Antártida recebe primeiro arquivo mundial para preservar amostras de geleiras

- 05 março





Cientistas inauguraram o primeiro arquivo mundial dedicado à preservação de núcleos de gelo na Antártida. A estrutura foi construída para armazenar amostras retiradas de geleiras ameaçadas pelo aquecimento global e funciona como um grande “cofre climático”, capaz de guardar registros da atmosfera terrestre de centenas ou até milhares de anos atrás.

A iniciativa é liderada pela Ice Memory Foundation, que criou uma espécie de santuário científico para conservar essas amostras. O local fica na Estação Concordia, no planalto da Antártida Oriental, cerca de cinco metros abaixo da superfície da neve. Ali, a temperatura natural permanece em torno de -52 °C durante todo o ano, permitindo manter o material congelado sem necessidade de energia elétrica.

Os chamados núcleos de gelo são cilindros extraídos de geleiras que funcionam como arquivos naturais do planeta. Cada camada preserva registros da atmosfera, incluindo gases de efeito estufa, partículas vulcânicas, poluentes e vestígios de eventos climáticos extremos. Essas informações ajudam cientistas a entender as mudanças do clima ao longo do tempo e a prever cenários futuros.

O primeiro carregamento de amostras chegou ao novo arquivo em 01/2026. Entre os materiais armazenados estão núcleos coletados em 2016 no Mont Blanc, na França, e em 2025 no Grand Combin, na Suíça. O transporte foi feito pelo navio quebra-gelo de pesquisa Laura Bassi, mantendo as amostras congeladas durante uma viagem de mais de cinquenta dias até o continente gelado.

A criação do arquivo global surge como resposta ao avanço do aquecimento global, que tem provocado o recuo acelerado de diversas geleiras do planeta. Com a preservação desses materiais na Antártida, pesquisadores esperam garantir que futuras gerações possam acessar dados fundamentais para compreender a evolução do clima da Terra.

Gustavo Monge