Arqueólogos encontram 22 caixões com múmias ligadas ao culto do deus Amon no Egito

- 05 março





Uma missão arqueológica anunciou a descoberta de 22 caixões de madeira ricamente decorados contendo múmias associadas ao título de “cantor(a) de Amon”. O achado foi feito na região de Qurna, na margem oeste de Luxor, no Asasif Necropolis, área conhecida por abrigar sepultamentos de altos funcionários e membros ligados aos templos do Egito antigo.

A escavação é conduzida pelo Conselho Supremo de Antiguidades do Egito em parceria com a Fundação Zahi Hawass para Arqueologia e Patrimônio. Segundo as autoridades egípcias, os caixões estavam dentro de uma câmara retangular escavada na rocha que funcionava como um depósito coletivo, e não como uma tumba individual.

Os arqueólogos encontraram os caixões empilhados em várias camadas, distribuídos em dez fileiras horizontais. Para aproveitar melhor o espaço, os antigos embalsamadores separaram as tampas das bases dos sarcófagos, permitindo que mais sepultamentos fossem acomodados no mesmo local.

A análise preliminar indica que o conjunto pertence ao período entre 1070 a.C. e 664 a.C., fase conhecida como Terceiro Período Intermediário do Egito. Muitos dos caixões trazem apenas o título “Cantor(a) de Amon”, função exercida principalmente por mulheres que participavam de rituais musicais dedicados ao deus Amon, cujo principal centro de culto ficava no templo de Templo de Karnak.

Além das múmias, os pesquisadores encontraram vasos cerâmicos ligados ao processo de mumificação, incluindo oito recipientes raros preservados dentro de um grande vaso de barro, alguns ainda com selos de argila intactos. O material poderá ajudar a revelar detalhes sobre os rituais funerários e a organização religiosa da antiga cidade de Tebas.

As peças passam agora por um delicado processo de restauração para preservar a madeira e as pinturas originais. De acordo com o arqueólogo Zahi Hawass, a descoberta representa uma contribuição importante para o estudo da religião e da sociedade egípcia durante um dos períodos mais complexos da história faraônica.

Gustavo Monge