Arqueólogos encontram complexo de petróglifos de até 8 000 anos no leste da Venezuela
- 23 fevereiro
Arqueólogos anunciaram a descoberta de um complexo de petróglifos pré-históricos na comunidade de Quebrada Seca, no município de Cedeño, no estado de Monagas, no leste da Venezuela, considerado uma das mais importantes descobertas arqueológicas recentes no país. Os gravados rupestres foram identificados no fim de janeiro e, segundo autoridades locais, podem ter entre 4 000 e 8 000 anos — tornando-se uma das expressões simbólicas mais antigas da região se a datação for confirmada.
As gravuras estão localizadas a cerca de 647 m acima do nível do mar e apresentam uma combinação de espirais, círculos concêntricos e figuras antropomórficas que, segundo pesquisadores, refletem visões cosmológicas e elementos do mundo ancestral dos primeiros grupos indígenas que habitaram a área.
Especialistas acreditam que os antigos artesãos utilizaram pedras abrasivas, areia, água e ferramentas líticas como martelos e cinzéis para entalhar as formas na rocha. A análise técnica aponta que os sulcos têm, em média, cerca de 1,24 cm de profundidade e 1,71 cm de largura, evidenciando um trabalho detalhado dos artistas pré-históricos.
Historiadores e autoridades locais ressaltam que a descoberta reforça o papel de Cedeño como um importante corredor de trânsito e assentamento de grupos indígenas ao longo dos períodos Paleoíndio e Mesoíndio, entre cerca de 6 000 e 1 700 a.C. A tradição cultural da região já era associada aos povos Chaima e Kariña, conhecidos por deixar inúmeros registros de arte rupestre na área.
A preservação do sítio é considerada prioridade, devido à vulnerabilidade natural dos petróglifos à erosão e ao risco de danos por ação humana. Autoridades planejavam geolocalizar e registrar oficialmente o local para proteger e estudar melhor as gravuras, enquanto se avalia a possibilidade de promover o desenvolvimento de rotas arqueológicas que combinem proteção e turismo sustentável.
Gustavo Monge