Clima mais agressivo ameaça gerações de araras-azuis, diz instituto
- 02 dezembro
O Instituto Arara Azul, referência nacional na conservação de aves em Mato Grosso do Sul, emitiu um alerta sobre os impactos das mudanças climáticas na reprodução de araras-azuis, araras-canindé e outras espécies que dependem de cavidades naturais em árvores para criar seus filhotes. Segundo a entidade, episódios recentes de ventania derrubaram árvores que abrigavam ninhos ativos, colocando em risco ciclos reprodutivos inteiros.
De acordo com o Instituto, a queda dessas árvores provoca um efeito imediato e devastador. Em nota, a organização destaca que, quando uma árvore com ninho ativo cai, “todo o ciclo reprodutivo é interrompido em segundos: o ninho se perde e os filhotes ficam vulneráveis”. O fenômeno tem sido agravado pela intensificação de tempestades e rajadas de vento, eventos associados ao aquecimento global. Árvores mais antigas — preferidas pelas araras por apresentarem cavidades naturais — estão entre as mais atingidas.
Diante desse cenário, o trabalho de monitoramento diário realizado pela equipe e parceiros tem sido essencial. A vigilância constante possibilita identificar riscos estruturais, agir imediatamente após quedas de árvores e instalar ninhos artificiais quando necessário. A resposta rápida, segundo o Instituto, garante que filhotes em desenvolvimento permaneçam protegidos e aumentem suas chances de atingir a fase adulta.
A entidade reforça que a conservação das araras exige um esforço contínuo, técnico e muitas vezes invisível ao público, mas crucial para a sobrevivência das espécies frente aos eventos climáticos extremos. O Instituto também destaca a importância da participação da comunidade, incentivando moradores a informarem sobre avistamentos de araras ou árvores utilizadas como ninhos. “A participação da comunidade fortalece a conservação”, reforçou.
Um levantamento realizado até 17 de novembro, em Campo Grande, aponta que 15 ninhos ativos de araras-canindé e maracanãs-de-cara-amarela foram derrubados. Muitos continham ovos e filhotes que não resistiram, resultando em perdas totais ou parciais. A arara-canindé foi a espécie mais impactada, com sete ovos perdidos e 21 filhotes afetados. Entre eles, seis morreram, seis foram encaminhados ao CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) e nove passaram por manejo especializado, sendo realocados para ninhos artificiais ou tendo os ninhos recuperados.
Gustavo Monge