Com risco de super El Niño, Bombeiros reforçam plano de combate a incêndios em MS
- 20 maio
Após enfrentar temporadas históricas de queimadas no Pantanal em 2020 e 2024, Mato Grosso do Sul já intensifica o planejamento para enfrentar um possível novo cenário crítico em 2026. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado ampliou ações preventivas e reforçou a estrutura de combate aos incêndios florestais diante da previsão de formação de um El Niño severo nos próximos meses.
Dados do Cemtec apontam 92% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno climático entre junho e agosto, com possibilidade de evolução para intensidade moderada ou forte até o fim do ano. O cenário preocupa por favorecer altas temperaturas, períodos prolongados de seca e irregularidade nas chuvas, aumentando o risco de incêndios no Cerrado e no Pantanal.
Segundo o capitão Pedro Paulo Barros da Costa, responsável pelo planejamento da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, a experiência acumulada nas últimas grandes crises fez o Estado antecipar as medidas de preparação. Ele afirma que o comportamento climático previsto lembra o cenário registrado antes das queimadas extremas de 2024.
Para o período crítico, o Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo prevê mobilização de cerca de 170 militares dedicados exclusivamente ao combate aos incêndios florestais. O trabalho também poderá contar com apoio da Força Nacional, brigadas municipais e integração com órgãos ambientais e de defesa civil.
A estrutura operacional ganhou reforço com novas bases avançadas em regiões estratégicas do Pantanal, além da manutenção de 15 guarnições voltadas exclusivamente para incêndios em vegetação. O Corpo de Bombeiros também ampliou o número de equipamentos, com caminhões, caminhonetes, kits de combate, motosserras, sopradores, mochilas costais e drones com câmeras térmicas.
O monitoramento dos focos de calor ocorre em tempo real, em parceria com o Imasul, utilizando imagens de satélite e acompanhamento permanente das condições climáticas. Além disso, equipes já realizam treinamentos e ações preventivas, como queimadas controladas em áreas estratégicas para reduzir o acúmulo de vegetação seca.
O governo estadual também avalia decretar restrições ao uso do fogo caso as condições climáticas se agravem durante o período de estiagem. Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul registrou algumas das maiores crises ambientais da história recente. Em 2020, cerca de 3,9 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo no Pantanal. Já em 2024, aproximadamente 1,9 milhão de hectares queimaram no Estado.
Mesmo diante da preocupação com um novo período crítico, o Corpo de Bombeiros afirma que Mato Grosso do Sul chega mais preparado para enfrentar a temporada de incêndios em 2026, com maior estrutura, tecnologia e experiência operacional acumulada.
Gustavo Monge