Curiosity registra formações em “teia de aranha” em Marte e reforça indícios de água no passado

- 24 fevereiro





O rover Curiosity, da NASA, passou cerca de seis meses explorando uma região incomum de Marte marcada por formações rochosas que, vistas do alto, lembram uma rede de “teias de aranha”. As estruturas, conhecidas como “boxwork”, se espalham por quilômetros ao redor do Monte Sharp e podem oferecer novas pistas sobre a presença prolongada de água subterrânea no planeta vermelho.

De acordo com a agência espacial, as formações são compostas por cristas baixas, entre 1 m e 2 m de altura, intercaladas por depressões arenosas. A principal hipótese é que a água tenha circulado por fraturas nas rochas, depositando minerais que “cimentaram” certas áreas. Com o tempo, a erosão provocada pelo vento teria desgastado o entorno, preservando apenas as cristas mineralizadas e formando o padrão semelhante a uma teia.

A descoberta tem impacto direto na compreensão da história climática marciana. À medida que o Curiosity sobe o Monte Sharp, montanha com cerca de 5 km de altura, cada camada revela registros de diferentes períodos ambientais. Cientistas avaliam que as estruturas indicam um lençol freático mais elevado no passado, o que sugere que a água pode ter persistido por mais tempo do que se imaginava.

Durante a investigação, o rover identificou ainda nódulos minerais do tamanho de ervilhas, possivelmente formados após a evaporação da água subterrânea bilhões de anos atrás. As análises detectaram minerais de argila nas cristas e carbonatos nas depressões, reforçando a ideia de processos geoquímicos associados à presença de água.

Nos próximos meses, o Curiosity deve avançar para uma área rica em sulfatos no Monte Sharp. A missão busca aprofundar os estudos sobre a transição de Marte, que já pode ter sido um ambiente mais úmido e potencialmente habitável, para o deserto frio e árido observado atualmente.

Gustavo Monge