Espécies do Pantanal podem ganhar proteção internacional durante a COP15
- 20 março
Três espécies presentes no Pantanal podem ser incluídas nos mecanismos de proteção internacional da Convenção sobre Espécies Migratórias. A proposta será analisada no dia 26/03, durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em Campo Grande. Entre os animais avaliados estão a ariranha, o caboclinho-do-pantanal e o pintado.
A inclusão dessas espécies nos apêndices da convenção significa, na prática, a necessidade de ações coordenadas entre países para garantir sua preservação. O apêndice I reúne espécies ameaçadas de extinção, enquanto o apêndice II contempla aquelas que dependem de cooperação internacional para sobreviver. Entre os três animais, a ariranha é a única com proposta de inclusão no grupo mais crítico.
A ariranha enfrenta uma série de ameaças, como poluição, pesca excessiva, conflitos com pescadores e impactos de grandes obras, como hidrelétricas e rodovias. Além disso, fatores como desmatamento e mudanças climáticas agravam a situação da espécie, que já é classificada como ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza. O animal habita áreas úmidas em diferentes países da América do Sul, o que reforça a necessidade de proteção conjunta.
Já o caboclinho-do-pantanal, ave migratória que circula entre Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia, pode ser incluído no apêndice II. A expectativa é que a medida aumente a visibilidade da espécie e contribua para ampliar estudos sobre sua população e seus habitats, especialmente nas áreas úmidas onde ocorre reprodução.
O pintado, peixe típico das bacias dos rios São Francisco e da Prata, também deve integrar o apêndice II. Considerado vulnerável, ele sofre com a fragmentação dos rios por barragens, pesca excessiva e perda de áreas de reprodução. Caso aprovadas, as inclusões podem facilitar o acesso a recursos internacionais e fortalecer ações de conservação, ampliando a proteção dessas espécies e de seus ecossistemas.
Gustavo Monge