Estudo alerta para riscos de brinquedos com IA e cobra regras mais rígidas de segurança infantil
- 19 março
Um relatório inédito da Universidade de Cambridge acende um alerta sobre o uso de brinquedos com inteligência artificial voltados a crianças pequenas. O estudo aponta que esses dispositivos, capazes de “conversar” com os usuários, ainda não possuem padrões eficazes de segurança e exigem regulamentação mais rigorosa. A pesquisa foi divulgada em fevereiro e integra o projeto “AI in the Early Years”, que investiga impactos da tecnologia no desenvolvimento infantil.
O levantamento analisou a interação de crianças de até cinco anos com brinquedos equipados com IA, fase considerada essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Embora especialistas reconheçam potencial educativo, como estímulo à linguagem, o estudo identificou falhas relevantes, principalmente na interpretação de emoções e na capacidade de resposta afetiva adequada durante as interações.
Casos observados durante a pesquisa mostram respostas inadequadas dos dispositivos diante de manifestações emocionais. Em uma situação, ao ouvir “eu te amo”, o brinquedo respondeu de forma técnica e impessoal. Em outra, ao receber a frase “estou triste”, ignorou o sentimento e mudou de assunto. Para os pesquisadores, esse tipo de comportamento pode afetar a forma como a criança percebe e expressa emoções, além de reduzir a busca por apoio em adultos.
Outro ponto de preocupação é a criação de vínculos afetivos com os brinquedos. O estudo identificou que crianças podem desenvolver relações emocionais intensas com os dispositivos, mesmo sem reciprocidade real, o que pode gerar confusão no entendimento de afeto. Além disso, há dúvidas sobre a coleta e o uso de dados, já que pais e até pesquisadores encontraram dificuldades para compreender as políticas de privacidade adotadas pelas empresas.
Diante desse cenário, os especialistas defendem a criação de normas específicas para brinquedos com IA, maior transparência no uso de dados e testes obrigatórios antes da comercialização. Também orientam que pais acompanhem o uso desses dispositivos e priorizem ambientes supervisionados. O relatório conclui que, embora a tecnologia avance rapidamente, a proteção das crianças ainda não acompanha esse ritmo, tornando urgente a implementação de regras mais claras para o setor.
Gustavo Monge