Estudo aponta 121 mortes prematuras entre fisiculturistas em 15 anos

- 26 maio





A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o debate sobre os riscos à saúde no esporte de alto rendimento. O atleta, que acumulava mais de 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais, foi encontrado morto em casa, em São Paulo, no último dia 23 de maio. A causa inicial da morte foi apontada como cardiomiopatia hipertrófica, condição que provoca aumento anormal do músculo cardíaco.

O caso ganhou repercussão poucos meses após a divulgação de um estudo publicado em 2025 no European Heart Journal, considerado o maior levantamento já realizado sobre mortalidade no fisiculturismo profissional. A pesquisa analisou mais de 20 mil atletas masculinos que participaram de competições internacionais entre 2005 e 2020.

Segundo o estudo, 121 fisiculturistas morreram de forma prematura no período analisado. Desses casos, 73 foram classificados como mortes súbitas, sendo 46 relacionadas diretamente a problemas cardíacos. As autópsias disponíveis mostraram sinais de aumento do coração e espessamento das paredes cardíacas, alterações associadas ao risco elevado de arritmias e falência cardíaca.

Os pesquisadores destacaram que práticas comuns no fisiculturismo, como treinos extremos, dietas restritivas, desidratação intensa e uso de substâncias para melhora de desempenho, podem provocar grande sobrecarga no sistema cardiovascular. O risco tende a ser ainda maior entre atletas profissionais, que mantêm essas rotinas por períodos prolongados.

O estudo também chama atenção para a necessidade de monitoramento médico e cardiovascular constante, inclusive entre atletas jovens e aparentemente saudáveis. Para os especialistas, a aparência física não deve ser vista como sinônimo de saúde, principalmente diante da influência que fisiculturistas exercem sobre milhões de praticantes de musculação em academias e nas redes sociais.

Gustavo Monge