Estudo aponta controle inédito de câncer de pulmão avançado por mais de sete anos

- 08 junho





Um estudo internacional trouxe resultados animadores para o tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células com alteração no gene ALK. Dados atualizados da pesquisa CROWN mostraram que mais da metade dos pacientes tratados com o medicamento lorlatinibe permaneceu sem progressão da doença por pelo menos sete anos, um marco considerado inédito na oncologia.

Os resultados foram apresentados durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica e publicados na revista científica Annals of Oncology. Segundo os pesquisadores, 55% dos pacientes que receberam o tratamento continuavam vivos sem agravamento do câncer após sete anos de acompanhamento. Entre os participantes que utilizaram o tratamento comparativo, esse índice foi de apenas 3%.

A pesquisa avaliou pacientes com tumores que apresentam alteração no gene ALK, responsável por estimular o crescimento das células cancerígenas. O lorlatinibe atua diretamente nesse mecanismo, bloqueando a progressão da doença. Um dos dados que mais chamou a atenção dos especialistas foi o fato de que, mesmo após sete anos, mais da metade dos pacientes seguia sem evolução do câncer, impedindo até mesmo o cálculo da mediana de sobrevida livre de progressão.

Outro destaque do estudo foi a proteção contra metástases cerebrais, uma das complicações mais preocupantes desse tipo de câncer. O medicamento reduziu em 94% o risco de progressão da doença no sistema nervoso central. Após sete anos de acompanhamento, 92% dos pacientes tratados permaneciam sem sinais de avanço do câncer no cérebro.

Para os pesquisadores, os resultados podem representar uma mudança significativa na forma de encarar o câncer de pulmão avançado com alteração no gene ALK. O estudo sugere que parte dos pacientes pode conviver com a doença por longos períodos, com qualidade de vida e controle prolongado do tumor. No Brasil, onde o câncer de pulmão está entre as principais causas de morte por câncer, o medicamento já possui aprovação da Anvisa e integra a cobertura obrigatória dos planos de saúde para os casos indicados.

Gustavo Monge