Estudo aponta que Deserto do Atacama é muito mais antigo do que se acreditava

- 11 junho





Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Colônia, na Alemanha, revelou que o Deserto do Atacama, no Chile, pode ser cerca de 20 milhões de anos mais antigo do que indicavam as estimativas anteriores. O estudo concluiu que as condições de extrema aridez da região já estavam estabelecidas há aproximadamente 45 milhões de anos, tornando o local uma das áreas secas contínuas mais antigas do planeta.

Até então, a comunidade científica acreditava que o processo de desertificação do Atacama havia começado entre 10 e 20 milhões de anos atrás. No entanto, os novos dados sugerem que a hiperaridez surgiu ainda durante o Eoceno, após um período de resfriamento global que sucedeu uma das fases mais quentes da história recente da Terra.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram 135 amostras de quartzo utilizando uma técnica de datação por nuclídeos cosmogênicos. O método permite identificar isótopos formados pela interação entre raios cósmicos e minerais expostos na superfície terrestre. As análises apontaram concentrações recordes de elementos utilizados para medir o tempo de exposição das rochas e as taxas de erosão da paisagem.

Segundo os cientistas, os resultados demonstram que parte das rochas do Atacama permaneceu praticamente inalterada por dezenas de milhões de anos. A escassez extrema de chuvas, inferior a 2 milímetros por ano em algumas áreas, reduz drasticamente os processos de erosão e transformação do relevo, preservando a paisagem por longos períodos geológicos.

Além de redefinir a história climática do deserto, a pesquisa contribui para o entendimento de como ambientes extremos se formam e evoluem ao longo do tempo. Considerado um dos locais mais inóspitos do planeta, o Atacama é frequentemente utilizado como laboratório natural para estudos sobre adaptação da vida em condições extremas, mudanças climáticas e evolução dos ecossistemas em regiões com escassez de água.

Gustavo Monge