Estudo aponta que número de espécies de abelhas pode ser bem maior do que o estimado
- 25 fevereiro
Um novo levantamento internacional indica que o número de espécies de abelhas no mundo pode ser significativamente maior do que se imaginava. Pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Wollongong sugere que existam entre 3.700 e 5.200 espécies a mais do que as estimativas anteriores. Com isso, o total global pode variar entre 24.705 e 26.164 espécies. O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.
De acordo com os pesquisadores, há uma subnotificação considerável, principalmente em regiões da Ásia, África e Américas. O biólogo James Dorey, autor do estudo, destaca que conhecer a quantidade real de espécies é fundamental para orientar políticas de conservação, manejo ambiental e pesquisas sobre evolução e funcionamento dos ecossistemas.
Para chegar à nova estimativa, a equipe analisou dados de 186 países, reunindo informações taxonômicas, listas nacionais de espécies, registros científicos e estatísticas de biodiversidade. O levantamento revelou que países insulares costumam apresentar maior diversidade de abelhas, muitas delas endêmicas, ou seja, exclusivas dessas regiões — o que reforça a necessidade de ações específicas de preservação.
O estudo também aponta que a Europa tem relativamente poucas espécies ainda não identificadas, enquanto outros continentes concentram uma biodiversidade pouco explorada. Apesar da catalogação de cerca de 177 novas espécies por ano, os cientistas alertam para um “gargalo taxonômico”, causado pela falta de especialistas, limitações de dados regionais, escassez de recursos e até ausência de análises genéticas mais aprofundadas, fatores que dificultam um mapeamento mais preciso da diversidade global de abelhas.
Gustavo Monge