Estudo aponta que peixe-limpador apresenta nível de inteligência comparável ao de mamíferos
- 23 fevereiro
Uma pesquisa conduzida pela Universidade Metropolitana de Osaka revelou que o bodião-limpador, espécie conhecida cientificamente como Labroides dimidiatus, pode demonstrar capacidades cognitivas consideradas típicas de mamíferos. O estudo foi publicado na revista Scientific Reports no fim de 2025.
Em pesquisas anteriores, os cientistas já haviam mostrado que esses peixes conseguem se reconhecer em fotografias. No novo experimento, os pesquisadores aplicaram marcas semelhantes a parasitas no corpo dos animais e, em seguida, os colocaram diante de espelhos — muitos deles sem nunca terem visto o próprio reflexo antes.
O resultado chamou a atenção: os peixes aprenderam rapidamente a usar o espelho para identificar e remover as marcas. Em alguns casos, a reação ocorreu ainda na primeira hora. Em média, o comportamento de raspagem foi registrado após 82 minutos — um avanço significativo em comparação aos quatro ou seis dias observados em estudos anteriores.
De acordo com o pesquisador Shumpei Sogawa, a principal diferença metodológica foi a inversão da ordem do teste. Antes, os peixes se acostumavam ao espelho e só depois recebiam a marca. Desta vez, eles foram marcados primeiro e só então tiveram contato com o espelho, o que pode ter acelerado a associação entre a sensação corporal e a imagem refletida.
O estudo também identificou um comportamento ainda mais complexo. Após alguns dias de exposição ao espelho, certos peixes passaram a utilizar um pequeno pedaço de camarão como forma de teste. Eles levavam o alimento até o espelho e observavam sua queda refletida, tocando o vidro repetidamente. Os cientistas interpretaram essa atitude como um “teste de contingência” — quando o animal experimenta como objetos externos se comportam no reflexo, um indicativo avançado de autoconsciência.
Segundo os pesquisadores, os achados sugerem que a autoconsciência pode estar mais disseminada entre diferentes grupos animais do que se imaginava, incluindo espécies de peixes, ampliando a compreensão científica sobre a evolução da inteligência no reino animal.
Gustavo Monge