Estudo explica como peixe formado apenas por fêmeas desafia teoria da evolução há mais de 100 mil anos
- 08 junho
Uma descoberta científica está ajudando a explicar como uma espécie considerada improvável pela teoria evolutiva conseguiu sobreviver e prosperar por mais de 100 mil anos. Pesquisadores da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, identificaram um mecanismo genético que permite à molinésia-amazônica manter seu DNA saudável mesmo sem a participação de machos em sua reprodução.
A espécie, conhecida cientificamente como Poecilia formosa, é formada exclusivamente por fêmeas e se reproduz por clonagem. Desde sua origem, resultado do cruzamento entre duas espécies diferentes de peixes, as descendentes continuam gerando novas gerações sem a necessidade de reprodução sexual. Durante décadas, cientistas acreditaram que esse modelo teria vida curta devido ao acúmulo de mutações prejudiciais no material genético.
No entanto, um estudo publicado na revista científica Nature revelou que a espécie utiliza um processo chamado conversão genética. Esse mecanismo atua como uma espécie de “manutenção” do DNA, favorecendo genes saudáveis e eliminando gradualmente alterações genéticas nocivas que poderiam comprometer a sobrevivência da população ao longo do tempo.
A descoberta foi possível após análises detalhadas do genoma da espécie utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genético. Os pesquisadores observaram que os dois conjuntos de DNA presentes nas células do peixe acumulam mutações em velocidades diferentes, permitindo que o processo de conversão genética preserve características benéficas e reduza o impacto de alterações prejudiciais.
Além de esclarecer um dos casos mais curiosos da biologia evolutiva, o estudo pode contribuir para pesquisas sobre outras espécies que também apresentam formas de reprodução assexuada. Os resultados ainda ajudam cientistas a compreender melhor os mecanismos de mutação e reparo do DNA, conhecimentos que têm aplicação em áreas como genética, melhoramento animal, agricultura e estudos sobre doenças, incluindo diferentes tipos de câncer.
Gustavo Monge