Estudo indica que Marte está girando mais rápido e pode ser mais ativo do que se pensava

- 27 março





Por décadas, o planeta Marte foi considerado um corpo geologicamente inativo, com processos internos praticamente encerrados há bilhões de anos. No entanto, novas análises de dados da missão InSight, da NASA, estão mudando essa percepção ao indicar que o planeta pode estar mais dinâmico do que se imaginava — inclusive com uma leve aceleração em sua rotação.

Os dados, obtidos por meio do experimento RISE, apontam que o dia marciano está encurtando em frações de milissegundo a cada ano. Embora a mudança seja extremamente pequena, ela é mensurável e chamou a atenção dos cientistas por não ter uma explicação imediata. Inicialmente, hipóteses como o acúmulo de gelo nas calotas polares e redistribuição de massa superficial foram consideradas.

Um estudo recente publicado na Journal of Geophysical Research: Planets sugere, no entanto, que a causa pode estar no interior do planeta. A pesquisa aponta para uma possível anomalia no manto sob a região de Tharsis, uma vasta área vulcânica que abriga estruturas gigantescas, como o Monte Olimpo, o maior vulcão conhecido do Sistema Solar.

De acordo com os cientistas, essa anomalia seria formada por material menos denso que o entorno, possivelmente uma pluma de calor que se desloca lentamente em direção à superfície. Esse movimento interno pode redistribuir massa no planeta e, consequentemente, alterar sua rotação, fazendo com que Marte gire ligeiramente mais rápido.

A descoberta reforça a hipótese de que Marte ainda possui atividade interna relevante, contrariando a ideia de um planeta completamente “morto”. Apesar disso, especialistas destacam que ainda há incertezas sobre o comportamento do manto marciano, e novas missões serão necessárias para confirmar os processos que continuam moldando o planeta.

Gustavo Monge