Estudo indica que mosquitos picam ancestrais humanos há 1,8 milhão de anos
- 27 fevereiro
Muito antes do surgimento do Homo sapiens, mosquitos já se alimentavam do sangue de ancestrais humanos. É o que aponta um estudo internacional publicado na revista Scientific Reports, que sugere que essa relação existe desde a chegada dos primeiros hominídeos ao sudeste asiático, há cerca de 1,8 milhão de anos.
Atualmente, existem cerca de 3.500 espécies de mosquitos no mundo, mas apenas uma pequena parcela prefere sangue humano. Ainda assim, esses insetos são responsáveis por mais de 700 mil mortes por ano, principalmente pela transmissão de doenças como a malária.
A pesquisa analisou o DNA de 11 espécies do grupo Leucosphyrus, pertencente ao gênero Anopheles, que inclui tanto espécies que se alimentam de primatas não humanos quanto aquelas que têm preferência por humanos. A partir do sequenciamento genético de 38 exemplares coletados no sudeste asiático, os cientistas reconstruíram a trajetória evolutiva desses insetos.
Os resultados indicam que o comportamento ancestral era a alimentação em primatas, como os orangotangos. No entanto, entre 2,9 e 1,6 milhões de anos atrás, na região conhecida como Sundalândia — que abrange áreas como a Península Malaia, Bornéu, Sumatra e Java — ocorreu uma mudança evolutiva no padrão alimentar.
O período coincide com a presença do Homo erectus no sudeste asiático, há cerca de 1,8 milhão de anos. Segundo os pesquisadores, alterações em genes ligados aos receptores de odor podem ter direcionado os mosquitos a identificar e preferir o cheiro dos hominídeos, estabelecendo uma relação que atravessa milhões de anos de evolução.
Gustavo Monge