Estudo revela vulcão adormecido há 100 mil anos e acende alerta para riscos ocultos

- 03 junho





Um estudo internacional trouxe novas informações sobre o comportamento de vulcões considerados adormecidos. Pesquisadores identificaram que o vulcão Methana, localizado na Grécia e sem erupções há mais de 100 mil anos, continua acumulando grandes volumes de magma em seu interior, o que pode representar um potencial risco futuro.

A pesquisa, publicada na revista científica Science Advances, analisou aproximadamente 700 mil anos da história geológica do vulcão. Os cientistas concluíram que, mesmo durante um longo período sem atividade na superfície, o sistema vulcânico permaneceu ativo em profundidade, ampliando gradualmente seus reservatórios subterrâneos de magma.

Para reconstruir essa trajetória, os pesquisadores estudaram mais de 1.250 cristais de zircão encontrados em rochas vulcânicas. Esses minerais funcionam como registros naturais das condições existentes no interior da Terra ao longo do tempo. A análise revelou que a maior formação desses cristais ocorreu justamente durante o período em que o vulcão parecia inativo, indicando intensa atividade magmática subterrânea.

O estudo também aponta que a elevada quantidade de água presente no magma pode ter desempenhado papel fundamental nesse processo. Segundo os pesquisadores, a água altera as características do material fundido, tornando-o mais viscoso e dificultando sua ascensão até a superfície. Como resultado, o magma permanece armazenado no subsolo por longos períodos antes de eventualmente alimentar novas erupções.

A principal conclusão do trabalho é que longos períodos de silêncio não significam necessariamente que um vulcão esteja extinto. Os pesquisadores defendem que sistemas considerados adormecidos devem continuar sendo monitorados, já que a acumulação de magma pode provocar sinais detectáveis, como pequenos terremotos, deformações do terreno e emissões de gases. A descoberta reforça a necessidade de reavaliar riscos vulcânicos em diversas regiões do mundo onde existem vulcões aparentemente inativos.

Gustavo Monge