Estudos revelam como o coração muda de forma para se adaptar ao estresse

- 11 junho





Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, identificaram o mecanismo molecular que determina como o coração altera sua estrutura em resposta a diferentes condições de estresse. Os resultados foram publicados recentemente nas revistas científicas Science e Science Signaling e ajudam a explicar por que o órgão pode engrossar ou alongar suas paredes ao longo da vida.

Segundo os cientistas, a adaptação ocorre por meio de alterações nas células musculares cardíacas, que podem aumentar em largura ou comprimento dependendo do estímulo recebido. O estudo apontou que os microtúbulos, estruturas que fazem parte do esqueleto interno das células, funcionam como uma espécie de interruptor molecular responsável por direcionar esse crescimento.

Os experimentos mostraram que, quando os microtúbulos estão estabilizados, as células tendem a aumentar de largura, contribuindo para o espessamento do músculo cardíaco. Já quando essas estruturas se tornam instáveis, as células se alongam. A pesquisa também verificou que os microtúbulos influenciam a resistência dos discos intercalares, estruturas responsáveis pela conexão entre as células do coração.

Outra descoberta importante envolve a chamada via ERK, um sistema de sinalização celular que atua como regulador do crescimento cardíaco. Os pesquisadores observaram que essa via direciona materiais necessários para a expansão das células principalmente para regiões próximas ao núcleo celular, favorecendo o aumento da espessura do músculo cardíaco. Esse mecanismo está associado a condições como a hipertensão arterial e pode contribuir para doenças que provocam o crescimento excessivo do coração.

Com os resultados, os cientistas acreditam que será possível desenvolver novas estratégias para controlar alterações cardíacas consideradas prejudiciais. Embora já existam medicamentos capazes de atuar sobre os microtúbulos e a via ERK, os pesquisadores destacam que futuros tratamentos precisarão ser mais específicos para atingir apenas as células do músculo cardíaco, reduzindo o risco de efeitos colaterais em outras partes do organismo.

Gustavo Monge