Expansão do eucalipto no leste de MS gera preocupação com água, abelhas e agricultura familiar
- 12 março
O avanço das plantações de eucalipto no leste de Mato Grosso do Sul tem gerado preocupação entre pesquisadores, autoridades e produtores rurais. Durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, especialistas alertaram para possíveis impactos ambientais e econômicos provocados pela expansão da silvicultura na região.
O debate foi coordenado pelo deputado estadual Zeca do PT e reuniu representantes do setor público, pesquisadores e produtores. A proposta do encontro foi discutir os efeitos da expansão das florestas plantadas e buscar alternativas para atualizar a legislação ambiental. Ao final da audiência, um documento com as discussões deve ser encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
Durante o encontro, o pesquisador Mauro Henrique Soares da Silva, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, destacou que o crescimento acelerado da monocultura pode provocar mudanças no microclima, afetar a biodiversidade e impactar diretamente a produção agrícola. Segundo ele, produtores da região de Três Lagoas relataram prejuízos em lavouras de hortaliças, como alface, além de dificuldades enfrentadas por apicultores com a redução de colmeias.
Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação apontam que a área plantada com eucalipto no estado cresceu cerca de 500% nos últimos dez anos, chegando a aproximadamente 1,75 milhão de hectares em 2025. Segundo especialistas, grandes áreas contínuas da cultura podem alterar a dinâmica da água no solo e reduzir a disponibilidade hídrica em algumas regiões.
Representantes de municípios também relataram possíveis impactos nas nascentes e na fauna. Em Selvíria, autoridades locais afirmam que imagens de satélite indicam nascentes próximas a áreas de plantio com sinais de redução da área úmida. Entre as propostas debatidas está a ampliação da distância mínima entre plantações de eucalipto e áreas habitadas ou produtivas da agricultura familiar.
Representantes do setor produtivo, por outro lado, defenderam a atividade, destacando sua importância para a economia regional, geração de empregos e desenvolvimento dos municípios. Ainda assim, afirmaram estar abertos ao diálogo para aprimorar regras e reduzir possíveis impactos ambientais.
Gustavo Monge