Expedição científica descobre dezenas de espécies inéditas em região remota de Angola
- 09 junho
Uma expedição científica realizada no planalto de Lisima, no leste de Angola, revelou uma impressionante diversidade de espécies até então desconhecidas pela ciência. A região, considerada uma das últimas grandes fronteiras de biodiversidade da África, permaneceu isolada durante décadas devido a conflitos armados, presença de minas terrestres e dificuldades de acesso.
O levantamento, realizado em fevereiro dentro do projeto Atlas da Vida de Cassai, identificou oito novas espécies de libélulas, três espécies inéditas de gafanhotos e cerca de 60 mariposas e borboletas que ainda podem ser oficialmente classificadas como desconhecidas pela ciência. Os pesquisadores destacam que o ambiente preservado e as características únicas do planalto favoreceram o surgimento de espécies altamente especializadas.
Entre as descobertas mais relevantes estão as libélulas e donzelinhas. Ao todo, foram registradas 103 espécies desses insetos, ampliando significativamente o conhecimento sobre a fauna local. Especialistas acreditam que as nascentes de águas cristalinas e os ecossistemas isolados da região contribuíram para a evolução de organismos que não são encontrados em nenhum outro lugar do planeta.
A pesquisa também revelou uma rica variedade de anfíbios, répteis, morcegos e outros animais. Foram catalogadas 24 espécies de anfíbios e 23 de répteis, incluindo serpentes raras e pouco estudadas. Nas cavernas da região, os cientistas encontraram populações de morcegos e diversos organismos associados a esses mamíferos, ampliando ainda mais o inventário biológico da área.
Além da importância científica, as descobertas reforçam a necessidade de conservação do planalto de Lisima. Pesquisadores alertam que a expansão de estradas, a mineração, o desmatamento e práticas agrícolas já começam a ameaçar os ecossistemas locais. Segundo os especialistas, proteger as nascentes e a biodiversidade da região é fundamental não apenas para a preservação das espécies, mas também para a manutenção dos recursos hídricos e do equilíbrio ambiental em uma vasta área do continente africano.
Gustavo Monge