Fósseis encontrados em MS revelam história da Terra entre 4 mil e 550 milhões de anos
- 09 março
Descobertas feitas em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul ajudam a revelar parte da história da evolução da vida na Terra, com registros que vão de cerca de 4 mil até 550 milhões de anos. Os vestígios foram encontrados em áreas que, há milhões de anos, eram ocupadas por antigos oceanos e hoje fazem parte do interior do estado.
Um dos achados foi feito pelo servidor público Irai Antunes, morador do município de Rio Negro. Há cerca de 10 anos, ele encontrou pedras com marcas semelhantes a conchas enquanto observava a natureza na região. Curioso, passou a recolher os materiais e posteriormente descobriu que se tratavam de fósseis. Novas peças surgiram durante obras na rodovia BR-419, que liga Rio Negro a Rio Verde de Mato Grosso, quando ele identificou exemplares de trilobitas entre os entulhos da construção.
Os trilobitas são animais marinhos invertebrados que viveram há cerca de 550 milhões de anos, no período Cambriano. A confirmação de que os materiais encontrados eram fósseis ocorreu quando Antunes encontrou pesquisadores do Museu de Arqueologia da UFMS durante uma expedição científica na região.
Segundo a geóloga Edna Maria Facincani, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, os fósseis encontrados fazem parte de formações geológicas conhecidas, como Furnas e Ponta Grossa, e indicam a presença de antigos ambientes marinhos no estado. A abertura de estradas em áreas sedimentares tem contribuído para que mais registros paleontológicos sejam encontrados.
Além desses vestígios marinhos, pesquisas recentes também identificaram fósseis de animais gigantes da chamada megafauna. Um estudo publicado na revista científica Journal of South American Earth Sciences revelou que restos de uma preguiça-gigante e um dente de mastodonte foram encontrados na região do Rio Miranda, indicando que esses animais viveram no estado há cerca de 4 mil anos.
Os pesquisadores apontam que essas áreas podem ter funcionado como refúgios ambientais para a megafauna sul-americana durante o processo de extinção que começou há cerca de 12 mil anos. A descoberta também levanta a possibilidade de que esses animais tenham convivido por mais tempo com populações humanas do que se imaginava.
No Brasil, a venda de fósseis é proibida por lei, já que os materiais são considerados patrimônio da União. A expectativa de pesquisadores é que novas descobertas possam ampliar o conhecimento sobre a história geológica do estado, especialmente com a criação do curso de Engenharia Geológica na UFMS, previsto para abrir vagas a partir de 2027.
Gustavo Monge