Fóssil de criatura pré-histórica de 275 milhões de anos é identificado no Nordeste do Brasil
- 06 março
Uma descoberta feita por pesquisadores no Nordeste do Brasil revelou fósseis de uma criatura pré-histórica que viveu há cerca de 275 milhões de anos. A espécie, batizada de Tanyka amnicola, apresentava características incomuns, como mandíbula retorcida e dentes apontados para os lados. O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B e chamou a atenção da comunidade científica internacional.
O animal pertence ao grupo dos tetrápodes, vertebrados com quatro membros que incluem anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Segundo os pesquisadores, a espécie já era considerada uma relíquia evolutiva mesmo em sua época, durante o Período Permiano. Isso porque fazia parte de uma linhagem antiga que continuou existindo mesmo após o surgimento de grupos mais modernos.
A identificação foi feita a partir de nove mandíbulas fossilizadas, cada uma com cerca de 15 centímetros, encontradas no leito seco de um rio. Embora não tenham sido localizados outros ossos do esqueleto, os cientistas estimam que o animal poderia atingir até 91 centímetros de comprimento e teria aparência semelhante à de uma salamandra com focinho alongado.
A anatomia da espécie também intrigou os especialistas. As mandíbulas apresentavam torções naturais e uma superfície interna coberta por pequenas estruturas semelhantes a dentes, chamadas dentículos, que funcionariam como uma área de trituração. Essas características indicam que o animal provavelmente se alimentava de pequenos invertebrados ou até de material vegetal, algo incomum para os primeiros tetrápodes, geralmente carnívoros.
Na época em que viveu, a região onde hoje está o Brasil fazia parte do supercontinente Gondwana. Para os cientistas envolvidos na pesquisa, a descoberta ajuda a compreender melhor como funcionavam os ecossistemas antigos e como as espécies se adaptavam ao ambiente milhões de anos antes do surgimento dos animais modernos.
Gustavo Monge